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Projeto TAMPOPO - Avaliação Final da Fase 1

16/12/11

13 de outubro de 2011


Projeto de "Educação sobre HIV/AIDS para pessoas com deficiência e analfabetas, através do desenvolvimento da capacidade da organização dos surdos"
Projeto TAMPOPO Avaliação Final da Fase 1
―A deficiência foi convertendo-se de personalidade (atributos) para força motriz (talento) para capacitação―

Vice-presidente da DPI (Disabled People International) Japão - Masaki Nishimura


Introdução

photo Workshop Bezerros

O “Projeto TAMPOPO” na modalidade “Cooperação Técnica para Projetos Comunitários” iniciou-se em outubro de 2008 em Recife, com o objetivo de promover a prevenção de HIV/AIDS para pessoas com deficiências e analfabetas. O projeto foi concluído em setembro deste ano, e nos dias 9 a 18 de julho, realizamos a avaliação final, considerando os seguintes itens:



1. Avaliação e percepção acerca deste projeto por parte dos Órgãos Governamentais e ONGs.
2. O fortalecimento institucional e capacidade de gestão e formação dos agentes surdos em HIV/AIDS.
3. Desenvolvimento de material didáticos e workshops utilizando o know-how da gestão dos surdos.

A deficiência passou de personalidade (atributos) para força motriz (talento) para capacitação

photo Workshop Corpo Humano

O desenvolvimento e o resultado dos que enfrentaram o desafio de repassar as informações para outras pessoas com as mesmas dificuldades, a partir de seu ponto de vista e de sua experiência, foram surpreendentes. O slogan do movimento das pessoas com deficiência, “Nada sobre nós sem nós!”, não se refere apenas aos direitos humanos, mas mostra claramente que a chave para eliminar todas as dificuldades é a própria pessoa deficiente. Segue alguns resultados abaixo.

photo Teatro TAMPOPO

1. O governo local e as ONGs reconhecem as pessoas com deficiência como público alvo e responsáveis pelo serviço. (Abertura do Workshop com participação de 15 autoridades locais e 835 pessoas, com fornecimento de estadia e local). Houve um aumento nos pedidos de workshops pelas autoridades locais.
2. Sete agentes surdos concluíram o curso, formando um novo grupo nos mesmos moldes da equipe do projeto atual e estão adquirindo conhecimentos referentes à gestão. Conseguiram também a colaboração de órgãos e entidades relacionadas nas cidades, nos estados e em todo o país.
3. O grupo aproveita o know-how adquirido em cada workshop que realizou, e suas experiências pessoais na confecção do material e na administração do projeto. Além dos surdos e analfabetos, o projeto estendeu o público-alvo para seus familiares, professores, crianças e adultos com deficiência e crianças analfabetas. Hoje, há planos para atender também as pessoas com deficiência visual.

Conclusão

photo Trabalhadores surdos da TAMPOPO

Durante muito tempo, a deficiência era vista como um problema que deveria ser superado e a superação era considerada uma virtude. Muitas pessoas com deficiência, vendo a deficiência como algo negativo, resistiam à ideia de se aproximar de pessoas sem deficiência, transformando sua deficiência em personalidade (atributo), e reivindicavam o direito de viver da forma como são. Este movimento, independentemente de ter ou não a deficiência, ou do seu grau, tinha como objetivo criar uma sociedade onde qualquer um, em qualquer lugar, pudesse viver dignamente.

Pode-se dizer que esta ação, além de ser um movimento baseado nos princípios das pessoas com deficiência, transformou a deficiência e as experiências de dificuldades em talento e capacitação.

Na entrevista do último dia da visita, um integrante do TAMPOPO disse: ”Antes de entrar para o TAMPOPO, não sabia nada de HIV/AIDS. Neste grupo, fiquei assustado por não ter conhecimento de uma coisa tão importante que, com certeza, muitos ainda não sabem. Por que ninguém nos ensinou? Por mais que tenhamos dificuldades de comunicação, deve haver uma forma apropriada de nos orientar. De agora em diante, gostaríamos de assumir a função de informar as pessoas. Formando e aumentando o número de pessoas que possam passar as informações adiante”.

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