19/05/11
Ao chegar a São Paulo no final de abril, Akemi Shibuya, policial da Província de Saitama, disse estar ansiosa para conhecer os Kobans (Bases Comunitárias de Segurança) e analisar as atividades e trabalhos desenvolvidos nestas unidades de polícia.
Adaptado à realidade paulista, o sistema japonês Koban de policiamento comunitário está sendo empregado pela Polícia Militar de São Paulo (PMESP) através do acordo de cooperação firmado entre esta corporação e a Polícia do Japão, por intermédio da JICA, desde 2005. Desde então, peritos japoneses têm vindo ao Brasil para a instrução e para inspecionar as práticas nas instalações policiais, orientar e sugerir ações para a melhoria do policiamento comunitário praticado no Brasil.
No entanto, esta é a primeira vez que a polícia japonesa envia ao Brasil uma policial feminina como perita. Na agenda de Akemi Shibuya, além da inspeção dos Kobans paulistas, consta a visita aos estados do Acre e do Mato Grosso do Sul, para também observar e inspecionar as práticas de policiamento comunitário naqueles estados.
Atualmente, além de São Paulo, outros 12 estados brasileiros – incluindo o Acre e o Mato Grosso do Sul - participam do acordo de cooperação através da Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP), do Ministério da Justiça. Em vigor desde 2008, o Projeto Implementação do Policiamento Comunitário Utilizando Sistema Koban visa difundir a experiência de São Paulo para esses outros estados.
Em São Paulo, Shibuya esteve em 10 Kobans e no Chuzaisho (Base Comunitária de Segurança Distrital, que consiste no local de trabalho e, ao mesmo tempo, residência do policial responsável) de Pindorama, em Mogi das Cruzes. Além disso, proferiu uma palestra no Curso Internacional de Polícia Comunitária Sistema Koban, oferecido pela PMESP e promovido pela SENASP, para policiais dos 13 estados brasileiros envolvidos no Projeto.
Nos Kobans, Shibuya conheceu as atividades dos policiais, orientou, fez sugestões e acompanhou a rotina de um dia de trabalho, participando, inclusive, de ações desenvolvidas pelos policiais em conjunto com a comunidade local, em palestras em escolas públicas para jovens sobre prevenção de drogas e da criminalidade.
Coincidentemente, sua estadia em São Paulo coincidiu com a comemoração do Dia do Policial Feminino na PMESP, no dia 12 de maio. Calorosamente recebida pelas policiais paulistas, Shibuya compartilhou esse dia com inúmeras colegas da PMESP no Quartel do Comando Central, onde foi uma das 10 policiais homenageadas, em uma cerimônia que comemorou 56 anos de presença feminina na corporação, com a presença do Comandante Geral Álvaro Batista Camilo, o Secretário Estadual de Segurança Pública Antônio Ferreira Pinto e o Governador do Estado Geraldo Alckmin, entre outras autoridades.
Sobre a vinda de uma policial feminina pela primeira vez, o Cel Luiz de Castro Júnior, coordenador do projeto por parte da PMESP e Diretor de Polícia Comunitária e Direitos Humanos, afirmou que esta é uma participação importante para a polícia paulista, que conta com um efetivo de cerca de 100 mil policiais, dentre os quais,10% são mulheres. A perita, com seu olhar crítico, é sempre bem-vinda, segundo o Cel Castro, para o constante aperfeiçoamento e atualização das práticas de policiamento comunitário no sistema Koban em São Paulo, e a presença da policial feminina demonstra o estado democrático de direito pleno e os direitos humanos exercidos na instituição.
Akemi Shibuya acredita que a observação e inspeção dos Kobans, agora do ponto de vista de uma policial feminina, só tem a acrescentar ao desenvolvimento das atividades do policiamento comunitário no Brasil.