
Iniciada no Brasil em 1959, a Cooperação através da Assistência Oficial para o Desenvolvimento (ODA) do Japão completou este ano 50 anos. Fazendo-se uma retrospectiva desses 50 anos, constatamos que as atividades englobaram um amplo leque, indo desde projetos conjuntos de grande porte, os chamados "projetos nacionais", como o Programa de Desenvolvimento do Cerrado (PRODECER) e as Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (USIMINAS), até projetos de cooperação nas mais diversas áreas como meio ambiente, agricultura, serviços médico-hospitalares, educação e mineração. O montante da cooperação técnica acumulado até o ano fiscal de 2008 atingiu 100,383 bilhões de ienes, o que coloca o Brasil na 1ª colocação na América Latina e em 6º lugar em âmbito mundial no que se refere às relações de cooperação do Japão.
Além disso, a Cooperação Financeira (Empréstimo ODA), iniciada a partir de 1981 nas mais variadas áreas como construção portuária, irrigação dos cerrados, eletrificação rural e instalação de redes de abastecimento de água e esgoto, acumula um histórico de cooperação que somam 241,5 bilhões de ienes. Isto coloca o Brasil na 2ª posição na América Latina, atrás apenas do Peru.
Somada a esses históricos de cooperação com relação ao Brasil, a Cooperação Triangular, através da qual o Japão e o Brasil prestam assistência em conjunto a um terceiro país, também vem, a passos estáveis, acumulando realizações nos últimos anos. O Programa de Treinamento para Terceiros Países, que teve início em 1985, já recebeu cerca de 1.500 bolsistas de países vizinhos da América Latina e africanos de língua portuguesa através dos aproximadamente 40 cursos realizados até 2007. Além disso, em março de 2000 foi celebrado um acordo referente ao "Programa de Parceria Brasil-Japão (JBPP)", pelo qual o Japão e o Brasil se engajam conjuntamente na cooperação a um terceiro país, sendo que em 2007 começou também um projeto conjunto nipo-brasileiro voltado aos países africanos.
Com base na relação construída a partir dessa cooperação que se estende por meio século, a JICA definiu como as três áreas que terão peso maior na assistência ao Brasil o "Meio Ambiente (Medidas contra Mudanças Climáticas, estruturação do Ambiente Urbano)", o "Desenvolvimento Social (Redução das Desigualdades)" e a "Cooperação Triangular". E, no intuito de que a cooperação do Japão para com o Brasil gere grandes impactos e surta efeitos de implementação ainda maiores, a JICA se empenha na elaboração dos planos de desenvolvimento de seus projetos sob uma visão de médio prazo, dando-lhes maior consistência e transparência ao mesmo tempo em que utiliza com eficiência a Cooperação Técnica e o Empréstimo ODA com relação aos projetos e programas contidos nesses planos.
Além disso, o Brasil também possui uma estreita relação com o Japão por ser o país que abriga a maior comunidade de descendentes de japoneses (nikkei) do mundo (1,5 milhões de pessoas).
No pós-guerra, a partir de meados da década de 50, a atuação da JICA, através de sua estrutura anterior, apoiou os imigrantes nos procedimentos de viagem / imigração, em questões fundiárias que iam desde o ordenamento das terras até o seu loteamento, e em financiamentos de atividades agrícolas, tendo havido também assistência à fixação dos imigrantes-agricultores e à agricultura. Outrora a comunidade nikkei era a beneficiária direta da assistência prestada pelos projetos da JICA. Contudo, nos últimos anos, entidades nikkeis dedicam-se a um maior desenvolvimento da sociedade brasileira e ao aprofundamento das relações nipo-brasileiras, desenvolvendo projetos que contribuem para a sociedade local em diversas áreas, a começar pela divulgação da língua e cultura japonesas. Com o objetivo de apoiar essa contribuição prestada à sociedade local, a JICA realiza, entre outras atividades, o envio de voluntários japoneses a entidades nikkeis, bem como treinamentos de nikkeis no Japão.
Além disso, atualmente contamos com a participação de descendentes de japoneses, formadores de opniões, a começar pelos integrantes da Sociedade Brasileira de Pesquisadores Nikkeis (SBPN), nos projetos de cooperação internacional desenvolvidos pela JICA dentro e fora do Brasil. O apoio e a cooperação dos nikkeis se dá de diversas formas como, por exemplo, através do envio de peritos nikkeis para a cooperação técnica prestada aos países latino-americanos e africanos e da realização conjunta de projetos de desenvolvimento social / educação ambiental aproveitando a experiência da comunidade nikkei.
O Brasil vem desempenhando um extraordinário desenvolvimento econômico, ocupando 8ª posição na economia mundial, tem sido alvo das atenções mundialmente como um dos integrantes do "BRICs". Além disso, por possuir abundante recursos naturais como petróleo, gás natural e minério de ferro e grande capacidade de produzir alimentos aproveitando seu vasto território, acreditamos que o Brasil terá uma importância cada vez maior para o Japão, não só como principal parceiro de comércio exterior e investimentos mas, também, como fornecedor de recursos naturais e alimentos.
Nós, do Escritório da JICA no Brasil, continuaremos a oferecer cooperação sempre em tempo oportuno para fazer face aos problemas ambientais, à redução das desigualdades ou às necessidades de desenvolvimento de infraestrutura dentro do Brasil, ao mesmo tempo em que promoveremos ainda mais o Programa de Parceria Brasil-Japão com relação aos países da América Latina e África. O nosso desejo, através disso, consiste em desenvolver ainda mais a compreensão mútua e a relação de cooperação entre o Japão e o Brasil, incluída neste a comunidade nikkei, bem como as relações do Japão e do Brasil com os países latino-americanos e africanos e, para tanto, gostaríamos de contar, cada vez mais, com a orientação e encorajamento de todos.
1º de junho de 2009.
Katsuhiko Haga, Representante Chefe
Representação da JICA no Brasil